Blog

O Conhecimento não é agrário, ou, A Teoria Fluida do Conhecimento

20 de outubro de 2015 Uncategorized

E se o Conhecimento humano não fosse explicado como uma “árvore” (ou através de “áreas”), e sim através de fluidos? Leia abaixo uma provocação sobre as diferentes formas de organizar o conhecimento humano.

***

Quantas vezes você já ouviu falar na “árvore do conhecimento”, na qual diferentes ramos brotam uns dos outros, linearmente definindo assuntos mais específicos — esta árvore diria, por exemplo, que a Aritmética é ramo do galho chamado Matemática, e o próprio galho Matemática tem origem em um tronco comum às Ciências Exatas. E sobre as “áreas do conhecimento”? Você já ouviu falar?

As “áreas” são outra forma de tentar organizar os fenômenos da experiência intelectual humana: campos vastos, que por vezes se sobrepõem, mas podem ser facilmente definidos, pois têm características próprias regulares. Pode-se dizer que estas “áreas” são praticamente bidimensionais.

Mas e precisa ser assim? Ou melhor: o conhecimento realmente é “agrário” — ele pode, ou deve, ser explicado como elementos campestres? Afinal, um “campo” é uma “área”, e uma “árvore” tem “galhos” (e por vezes até dá “frutos”). Então até que ponto esta forma dimensional de explicar o Conhecimento humano mais ajuda do que atrapalha? Por que o galho “Artes” está tão distante assim do galho “Ciências exatas”? Como compreender os seus momentos de interseção (e há diversos)?

Em vista disso, se propõe aqui uma outra forma de entender — e de explicar — o Conhecimento humano, essa coisa tão fluida, mutável, que frequentemente tem características tão específicas que por vezes se torna difícil explicar como suas diferentes manifestações podem vir a ter alguma semelhança.

Em tempos de El Niño, peguemos um tipo de fluido vital para a vida na Terra, mas não tão óbvio quanto a atmosfera: os oceanos. Eles são basicamente um mesmo composto, a água, e diversos solutos, como sais, metais, e as outras coisas que nele estão (bichos, lixo, etc). Contudo, mesmo sendo basicamente um mesmo corpo d’água — único, mas divisível para sua melhor compreensão —, ele têm diversas correntes: água mais quente sobe, água mais fria desce; água mais salina tem um comportamento diferente da água menos salina; água em determinadas partes deste mesmo Oceano tem velocidades distintas com base na profundidade do solo sobre a qual viaja ou com base na velocidade dos ventos sob a qual se encontra.

O Conhecimento humano, talvez, então, pudesse ser mais bem compreendido como um “fluxo” de uma mesma coisa, mas com características por vezes diferentes — pressão, velocidade, temperatura, entre outros —, e que, por isso, têm comportamento diferentes. A distância entre “Artes” e “Ciências exatas” — tão bem definível no meio agrário dos campos e das árvores — se torna mais fluida (a repetição é proposital) não porque “Artes” e “Ciências exatas” sejam essencialmente diferentes: a diferença ocorre por pequenas características (pressão, velocidade, temperatura) que, ao final da soma, causam correntes diferentes. A própria noção da inter- e transdisciplinaridade também se explica mais facilmente através de uma “teoria fluida do Conhecimento”: se a hibidrez antes se dava através da força bruta da engenharia genética, o fluido (líquidos, gases, não importa) aceita de maneira muito mais afável (e natural) estas extrapolações — basta apenas alterar algumas de suas características secundárias.

Por fim, da mesma forma que as diferentes correntes oceânicas afetam e são afetadas pelo próprio entorno em que estão, as diferentes correntezas se tratam da mesma matéria — apesar das diferenças. Sua variabilidade é que é inerente a si própria: são características diferentes que causam as diferenças na sua percepção, da mesma forma que as diferentes correntes do Conhecimento humano.

Como não escrever sobre bibliotecas: diretrizes para repórteres e jornalistas (e para quem não conhece muito o assunto)

A qualquer-coisa-teca: biblioteca, midiateca, ludoteca ou outra coisa?

Arquivos
Páginas
  • Sumário
Licença de uso
Licença Creative Commons
O trabalho TCI: Tecnologias e Ciências da Informação de Fernando P. está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em http://fernandop.info/bibliotecario.
Proudly powered by WordPress | Theme: Doo by ThemeVS.